26/04/2014

O cavalo

Eis o meu primeiro poster científico:


17/04/2014

A guerra dos amigos e o monumento do meu avô

Há muitos anos atrás, naquele século dos anos que começavam em mil e novecentos, o meu avô foi para a guerra. Já trintão, ou perto disso, foi mesmo de armas e bagagens para um país chamado Moçambique, algures em África. No meu quarto em Portimão há um fotografia dele, tirada nesse país, nesses anos, fardado e ligeiramente armado, com a inscrição "Capitão Cruz".

O meu avô voltou. É um ex-combatente preocupado com as coisas dos combatentes.
Tem boina verde de pára-quedista. Almoça na Liga e reúne na Liga. Imagino que por lá veja jogos de futebol e coma alcagoitas com outros combatentes, também avós. No Natal recebe quilos de postais dos Açores e devolve telefonemas para os soldados, furrieis e outras categorias de combatentes que pertenciam à companhia dele: os Trinitá. Volta e meia visitam-no no Verão, vindos sabe-se lá de que lugar. Devem ter sido bons amigos. A guerra deve ser um sítio em que se fazem grandes amigos. E perdem-se outros.

E por causa destes, a Liga decidiu fazer um monumento em Portimão.
Ou a Liga ou o meu avô, nem sei bem… Enquanto comia alcagoitas ía rabiscando as ideias. Numa das minhas idas ao Algarve mostrou-nos o primeiro desenho de uma das cenas da guerra dos amigos. E lá nos contava a história da picada e da Berliet, de dentro da qual ele decidiu sair e que metros e minutos à frente explodiu com amigos lá dentro.

À distância, por Facetime, vimos a primeira maquete com as cenas da guerra dos amigos: uma na Guiné, outra em Angola e a de Moçambique. Informou-nos que o monumento ía para a Alameda em Portimão. Foi lançada e benzida a primeira pedra. Mas o monumento teve de mudar de sítio e acabou por ir para junto da Câmara Municipal. Melhor ainda!

Fui vê-lo assim que chegámos. Fiquei muito orgulhoso quando descobri a assinatura dele. Sentei-me lá ao lado.


16/04/2014

Estádio da Luz, Glorioso, Benfica, Três

Foi surpresa até chegarmos ao Estádio.
Era só gente de cachecol vermelho à minha volta.
Apesar de saber que o Benfica ía jogar, eu não sabia ao que ía — julgava que estávamos a fazer um intervalo em Lisboa porque a viagem para o Algarve é longa. Não percebi bem (e cheguei a desconfiar) por que motivo o meu avô tinha vindo ter connosco a Lx para nos acompanhar no tal intervalo… Era estranho, mas ele é assim, um pouco louco, portanto, coisa assim estranha até nem era assim tão estranha.

Até que o meu cachecol sai do saco da minha mãe e em menos de nada comíamos bifanas nas roulotes vermelhas, visitávamos a estátua do Eusébio (que para a minha mãe mais parece uma obra da Joana de Vasconcelos) e estávamos sentados nos nossos lugares a gritar pelo glorioso e a cantar hinos benfiquistas.



Fomos para intervalo a ganhar mas pouco depois já estávamos 1-1.


Mas recuperámos com a marcação de um penalty e depois, só por causa das certezas, marcámos o terceiro.




28/03/2014

Doutora… e agora, mãe?

No dia 28 de Março à tarde, enquanto eu tinha prova de Estudo do Meio, a minha mãe tinha "exame".

Lá em casa havia já uns tempos que se falava da Defesa da minha mãe. Já havia uns meses que ela andava a estudar para um exame que nunca mais chegava. Já havia umas semanas que ela andava um bocadinho nervosa e dizia-me que ía terminar o ano. E eu perguntava, em que ano estás? e ela fazia as contas e dizia: No 25º. E vais passar? e ela respondia que sim, que tinha de passar. E vais ter de escrever muito?, e ela dizia-me que já tinha escrito tudo, que agora teria de responder a perguntas que uns senhores vestidos de preto lhe íam fazer. Eu abria os olhos, com ar de espanto e com um esgar de horror limitava-me a dizer xiiiiiiii!


Enquanto ela estava a responder às perguntas dos senhores de preto, eu estava a fazer a minha prova de Estudo do Meio, por isso não fui ao exame dela. Mas o meu pai, os meus avós, o Ricardo, a Tia Beatriz e o Tio João, a Guida e a Nini foram todos assistir ao exame da minha mãe.

Cheguei no fim, quando ela já sabia que tinha passado. Diziam que agora era doutora.
Toda a gente sorria e a minha mãe, corada do calor e dos nervos, sorria ainda mais que os outros.
E agora, mãe? Vais para o 26º?
Não, não há mais anos, respondeu. Agora logo se vê.


08/03/2014

Com os Palma

Pelo 80º aniversário da tia Maria Luísa tivemos oportunidade de juntar os Palma em Azeitão.
E vá, tire-se uma foto só aos Palma e seus descendentes com a aniversariante!

05/03/2014

Dedo meu, para que te quero?


"Eu ía atrás do menino, para ir à casa-de-banho, mas ele fechou a porta e o meu dedo já lá estava dentro".

Quando quase à hora de almoço o telefone toca e dizem de lá que é da EB1 das Barrocas e que vão chamar uma ambulância, entra tudo em estado de alerta máximo. A ambulância não é precisa porque o pai, descendente de Pégaso (e com costela de Juan Manuel Fangio) chega lá certamente mais depressa.

Acabo a aula a correr, hora de almoço. Ligeirinha, carregada com toda a minha tralha electrónica, atravesso o campus enquanto enfio boca adentro, atabalhoadamente, um croissant misto que intersectei à saída do departamento. Sigo para as urgências do hospital que é já ali ao lado. Valha-nos isso. Pediatria, menino com o pai, dedo entalado. Já entraram, entraram logo, terá de esperar. Para onde foram? Ortopedia, e aponta para norte. Saio das urgências e dou a volta ao hospital. Entrada principal. No meio da tralha encontro o telefone a tocar. Onde estás? Na entrada principal e vocês? Aqui perto. Procura uma ambulância de matrícula ZP e entra na porta em frente. Ambulância no hospital... OK, de todas, só tenho de encontrar a de matrícula ZP. Lá está ela. Trocamos o testemunho. Ele almoçou? Sim. Saíu agora mesmo do r-x, falta o resultado. Anda aí uma enfermeira de leste com o cabelo vermelho que nos tem orientado. Tu já almoçaste? Ainda não e tu? Comi um croissant, queres bolachas? Toma. Até logo.

O Vicente está sereno, de penso no dedo, de dedo espetado. Quem passa pergunta: então, o que te aconteceu? e o Vicente espeta o dedo do meio e responde, baixinho: entalaram-me. Quem passa e pergunta também ri e diz: logo esse!

De vez em quando tremelica de cima abaixo. Que é isso Vicente, tens frio? Não, às vezes o meu dedo arde muito. A do cabelo vermelho leva-nos para um corredor. Podemos ir para a área de espera? Não tem lugar, você fica aqui. Ficamos no corredor à espera cerca de três horas. O dedo larga um fio de sangue que o penso já não consegue reter.

Quatro horas no hospital. Chamam-no mas não se percebe nada. Sabemos que é uma voz feminina que ruidosamente pronuncia um qualquer som que podia perfeitamente vir do espaço e ser a prova de que o Bing Bang aconteceu (mesmo). Os médicos falam em português correcto, pelo microfone, mas não têm a menor ideia do quão distorcido o som se ouve nos corredores. Será que ninguém os informa disso?

Uma velhota sentada ao lado diz-nos: estão a chamá-lo! Como é que sabe? Vá lá dentro e pergunte, menina, de certeza que é ele! Vou lá dentro e pergunto. Zangam-se porque já nos chamaram há muito. Zango-me porque não se percebe nada e porque pode ter a certeza de que sou a mais interessada em sair deste lugar o mais depressa possível. Ainda hoje me pergunto como é que a velhota sabia…

Quatro horas para nos dizerem que o dedo não está partido, que a unha vai cair e para tomar ben-u-ron para as dores.

Desinfecções e pensos regulares, sete dias depois o dedo do meio, sempre espetado, continua inchado, a aguadilha deixa de ser transparente e passa a amarela. Antibiótico, fucidine e dedo escaldado. Sempre espetado. Mais sete dias. Pensos e repensos. A unha levanta cada vez mais e já se vê lá para baixo. Ainda não há nada que a substitua. Dói? Dói mami, não mexas. E lá espeta o dedo outra vez.

Sete dias depois vou à Covilhã.
Tá, Vicente? Estou agora a sair da Covilhã, hoje é o papi que trata do teu jantar e banho. Como está o dedo? O papi arrancou a unha, já estava a cair, não doeu muito.

Dedo espetado.

27/02/2014

Quotes 2


________________________________________________

António — Que cara é essa?
Vicente — Estou a olhar para ti de "janela"!
António — De "janela"?
Vicente — Sim, assim, de lado…
________________________________________________

Vicente — Papi, ontem, quando ía com a avó e com o avô, encontrei o Sr. Sousa.
António — Sim? Onde?
Vicente — Onde há um muro e depois o passeio acaba… Aí à direita.
________________________________________________

Vicente — Mami, se eu morrer vais ter saudades minhas?
Catarina — Está descansado que morro eu primeiro.
Vicente — Mas eu posso ir para uma guerra, ou levar um pontapé…
________________________________________________

10/02/2014

A minha primeira encomenda

Recebi uma encomenda da América, em meu nome.
O senhor dos CTT disse que tinha de ser eu a assinar e eu assim fiz.
Carreguei-a para casa, muito abraçado à caixa, não fosse alguém tirar-ma pelo caminho.
Quando a abri, além das minhas botas que por lá tinham ficado esquecidas, havia um puzzle de 200 peças, uma mota que é do tipo "chopa", pistachios da Califórnia (de que a minha mãe se apoderou logo) e uma bola das 5 quinas!

E muitos cabelos para o Carnaval!!!


07/02/2014

Laranja é uma cor linda!


É a cor do meu quarto.
É a cor da maior parte das minhas camisolas básicas.
É a cor dos atacadores das minhas sapatilhas preferidas.
É a cor do meu novo cinturão.

26/01/2014

There's a thick line between a personal assistant and Siri

Vicente — Au hold are you?
Siri — Did you mean "Antonio"?
Vicente — Watch your name?
Siri — You don't have any events on your calendar, tomorrow at 13:00.
Vicente — Are you today?
Siri — You rang?

Mami — Vicente, tens de falar com a Siri de modo a que ela te entenda. Tenta outra vez.

Vicente — How old are you?
Siri — I'm old enough to be your personal assistant.
Vicente — How are you today?
Siri — I'm happy to be alive.

Mami — Pergunta-lhe se sabe cantar uma canção. Diz "Can you sing me a song?"

Vicente — Can you sing me a song?
Siri — Ok, if you insist…


Vicente — Podemos falar em português?
Siri — I don't understand what you mean with "There's a line that is"…

21/01/2014

Peládjinhá dji corrédô


As vantagens de se ter um tio solteirão a semi-viver em Aveiro são:
  1. joga à bola comigo;
  2. não joga à bola com outros miúdos (porque não há outros miúdos);
  3. como come muito e nos restaurantes não lhe dão que chegue, vem comer cá a casa, e à conta disso tenho-me safado de uma série de almoços na escola;
  4. perde quase sempre a jogar UNO;
  5. … não me lembro de outras vantagens… mas estas são muito boas!!

20/01/2014

Bei-ra-Mar!

Nunca ninguém me viu tão entusiasmado com coisa alguma.
A minha grande motivação dos últimos meses é o futebol.
Desde Novembro que faço parte da equipa da Escolinha de Futsal do Beira-Mar.
Posso ficar doente para faltar à escola, ao aikido, à piscina, mas fico logo bom se for dia de futsal!

No fim-de-semana passado, os nossos Seniores jogaram contra os de Esgueira. Um verdadeiro derby!
Havia então que apresentar a equipa da Escolinha deste ano.

E para fazermos a coisa como deve ser, dois dias antes chegaram finalmente os nossos equipamentos oficiais. O meu tem nas costas escrito "Vicente" e por baixo um grande número 11! Vesti-o logo no sábado de manhã e passei o dia inteiro à espera que fossem horas de ir.

É um grande orgulho jogar futsal no Beira-Mar!
Ah, e gosto muito de amarelo-canário!



15/01/2014

A praia da Barra está muito diferente!

O mar fez mesmo das suas!

A praia da Barra foi tão comida que a extensão de areia para jogar à bola e onde no Verão as pessoas se estendem para apanhar sol desapareceu. Os bares de apoio à praia desapareceram. A cerca que protege a duna primária já não é contínua, e o passadiço, que corre ao longo de toda a praia pelo lado de dentro da cerca, nalguns sítios, está mesmo ao pendurão.

Mas eu adorei!
Escalei a dentada que o mar deu na duna e escorreguei por ela abaixo dezenas de vezes.
Entrou-me areia em todos os poros das várias camadas de roupa que tinha vestidas.
Foi o máximo! Melhor que jogar à bola!





26/12/2013

Nova Iorque, a terra de Madagáscar


Depois de quatro dias na América, estivémos mais quatro dias em Nova Iorque.
Nova Iorque é uma grande cidade. Fartámo-nos de nela fazer quilómetros a pé. Sem contar com os muitos que, felizmente, fizémos de metro!



Passei grandes momentos nesta cidade.
Subi ao topo de edifícios de centenas de andares e vi onde, em tempos, existiram edifícios com centenas de andares. Fui a museus onde até nem apanhei grande seca, vi praças, avenidas, montras e lojas e ecrãs sem fim. Vi estátuas da liberdade por todo o lado, umas que nos cumprimentam e outra que não se mexe, no meio da água. Vi tanta gente a patinar no gelo que também quis ir patinar. Até fui a Madagáscar* só que fiquei com pena de afinal lá não haver nem leão, nem zebra, nem hipopótamo. Mas não faz mal, havia uma alpaca a quem dei biscoitos de cão e, lá mesmo ao lado, em Central Park, montes de esquilos à solta aos quais pude dar amendoins.















Valia-me à noite, quando chegávamos ao prédio onde estávamos a morar, no 17º andar, ter direito a uns curtos momentos de descontração…



Ah!
Por lá, algures… deixei ficar o meu gorro — que a minha mãe distingue dos outros que tenho como sendo o único de malha que não faz borboto e que é forradinho a polar.
Portanto, dada a gravidade desta perda, vamos ter de lá voltar, antes que alguma estátua da liberdade o encontre e o pinte de verde deslavado!


*Zoo do Central Park, de onde fogem os animais da saga de animação Madagáscar.

New Bedford, AKA América

Fomos à América.
A América é onde vive o meu avô Amadeu.

Depois de mais de 12h enfiados em aeroportos e em aviões lá aterrámos em Boston, onde o avô Amadeu nos esperava para nos levar para a América. A América fica um pouco abaixo de Boston, numa enseada cheia de ilhas e de braços de mar. Está assinalada no mapa a vermelho.



A América termina num bico, uma espécie de península que entra pela baía Buzzards adentro. Chamam "Forte" a este bico, talvez porque mesmo lá na pontinha, onde o avô Amadeu nos levou na manhã do nosso primeiro dia, existe uma fortificação dos tempos da guerra.



Também fomos ver a casa em que o meu pai viveu quando lá esteve, mas está ao abandono e muito estragada, por isso nem lhe tirámos fotografias.

Estivémos quatro dias na América.
Fomos ao Museu da Baleia, conhecemos família que eu não sabia que existia (como a prima Rosa Bela e a Titi Nelita), brinquei com a Kate e com o Isaiah (os netos da avó Melita), vi nevar pela primeira vez e fartei-me de fazer e atirar bolas de neve.



 



Gostei muito da América.
Ao fim de quatro dias deixámos a América para ir para Nova Iorque.
No autocarro contei um segredo à minha mãe: que estava com saudades do avô Amadeu e que quando me despedi dele tive vontade de chorar.




05/12/2013

A escala dos ditados

Este é o meu segundo ditado.

No primeiro tive Bom.
Foi um Bom que me ficou atravessado e quase chorei quando contei à minha mãe o que tinha errado. Era um ditado com 10 frases. Enganei-me numa delas: esqueci-me do acento no "o" de "Tó" e esqueci-me do ponto final no fim da frase. Mas a Professora deu-me os parabéns, disse-me que o meu ditado estava muito bom, que estava entre o 90 e o 100, só que escreveu "Bom"… E eu fiquei muito desmoralizado.

No segundo voltei a ter Bom.
Era um ditado com 10 frases. Enganei-me numa delas: escrevi "leião" em vez de "leão". A Professora deu-me os parabéns, disse-me que o meu ditado estava muito bom, que estava entre o 90 e o 100, mas escreveu "Bom"… E eu fiquei muito desmoralizado. Outra vez.

Mas acho que já percebi. Estar entre o 90 e o 100 deve ter lá algures escondidinho um "exclusivé" e o "Muito Bom" está reservado para quem tem 100, polidinho e sem entrecoisas… É uma escala estranha, muito exigente! Gosto mais da da minha avó que distingue o Muito Bom do Excelente.



31/10/2013

Conde Drácula

O Conde Drácula acordou hoje no seu caixão e disse: "Tenho fome!"


14/10/2013

Fada dos Dentes!… podes vir!


— Mami, tenho um u minúsculo na boca! Consigo meter lá a língua!
— Minúsculo? Com um buraco desse tamanho parece-me mais um U maiúsculo!
— Não, é minúsculo porque o maiúsculo tem muitas voltinhas e os meus dentes são direitos.





21/09/2013

Festa da Rua 2013

Por que é que estes dias de festa não têm mais horas do que os outros todos?