Na semana passada, íamos nós para a escolinha na Peugeot, com o Vicente sentado no único banco disponível (o da frente!) de perna traçada e a controlar a intensidade dos perigos da pista por onde seguíamos (neste caso, na rua da Estação) quando de repente se sai com um grito que me acentuou as taquicardias e me ía provocando uma síncope: "Mami, passaste o 5 e o 0!" E eu, convencida de que havia alguma coisa exterior à minha - até então - confortável e amena condução, pus-me a olhar freneticamente pelas janelas e pelos retrovisores, à procura do 5 e do 0, que podiam ser potencialmente qualquer coisa, como dois comboios alinhados ali ao nosso lado, ou a hora de chegar à escolinha, já que o vicente vê as horas precisamente indicando os dois números dos quais os ponteiros mais se aproximam, ou ainda dois novos super-heróis ou "gregormitis" em pose de ataque, num outdoor que eu certamente não vira.
Claro que só quando a histeria passou e ele conseguiu apontar para o painel do carro, o 5 e o 0 juntaram-se e eu percebi tratar-se de um 50 para além do qual o peso do meu pé não devia ter passado.
Já esta semana, tivémos outra sessão de 50: o Ricardo mandou 50 moedas de euro para a gaveta que o Vicente tem no banco. Ora, coisa como esta não pode passar por "5 e 0" daí que decidimos abrir a vaca e espreitar o conteúdo, que felizmente já nos permitia contar até 50. Fizémos 5 montinhos de 10 moedas e contámo-las, primeiro por monte, e depois todas de seguida. Mas como o 50 que aqueles montes totalizam ainda não representava nada de extraordinário para o Vicente, juntámos os 5 montinhos para o Vicente agarrar no seu conteúdo. Aí sim, ele disse: "Não consigo, são muitas! São 50!"

