A todos os que nos disseram que o Natural History Museum de Londres era um must have, um must see, um must go... Fo'get about it! Depois de termos estado no de NY, este é uma brincadeira de nursery e, ao mesmo tempo, um grande desalento. Começou logo mal quando nos apercebemos de que a exposição dos dinossauros estava fechada.
Depois, assim só a título de exemplo, veja-se o melhor modelo que lá têm de mamute e compare-se com aquele a que tivémos acesso há dois anos atrás, do lado de lá do oceano:
Acresce que a maior parte dos realejos interactivos não funciona e além disso, a barbatana da baleia azul tem quilos de cotão em cima! Por outro lado, foi interessante descobrir que o Vicente descende directamente das orcas:
Também vale a pena dar a volta ao diplodocus que se encontra à entrada e apreciar o edifício, que é muito bonito.
E no fim, nós desculpamos, porque neste museu entrámos de borla e no de NY pagámos 16$/pax...
31/01/2016
24/01/2016
Science Museum - take 1
No Museu da Ciência cá do sítio o Vicente fez uma grande descoberta: um telefone daqueles que há três décadas faziam parte da mobília de todas as casas e que justificavam a distribuição anual das várias listas telefónicas. O Vicente não sabe o que são as listas telefónicas, para ele páginas amarelas devem ser páginas envelhecidas pelo tempo e telefones com rodinhas, só se for para facilitar a mobilidade de qualquer coisa... A experiência de marcação dos números utilizando um paradigma tão diferente daquele a que está habituado foi absolutamente única!
17/01/2016
British Museum, take 1 - múmias
Hoje acordámos e estava a nevar.
Decidimos que era, portanto, um bom dia para nos enfiarmos num museu.
Boa ideia, vamos ver múmias! As múmias são mais ou menos assim:
Ou seja, os egípcios contavam as histórias das suas vidas nas embalagens das suas próprias múmias. Claro que, como quando eles morriam as pirâmides eram seladas e mais ninguém lá entrava, ninguém via nem lia aquelas histórias. Portanto, eles viviam para morrer e contavam histórias para nada, porque de telling tinham muito pouco.
E depois, vieram os romanos e acabaram com aquilo tudo. E o Egipto, que já tinha muitas dunas na altura, encheu-se ainda de mais dunas que cobriram pirâmides e palácios e desapareceu. Os hieróglifos deixaram de ser usados e as histórias das múmias foram esquecidas.
Muitos anos mais tarde, vieram os arqueólogos comandados por Napoleão, e tomaram conta do Egipto. Descobriram a pedra de Roseta, com o mesmo texto em três escritas diferentes, uma delas a dos hieróglifos. Fez-se a tradução e finalmente passou a ser possível contar as histórias das múmias. Se não fosse esta pedra, todos nós seriamos hoje muito mais pobres. E eu tinha ficado em casa a jogar FIFA 2015 ou PES 2016.
Decidimos que era, portanto, um bom dia para nos enfiarmos num museu.
Boa ideia, vamos ver múmias! As múmias são mais ou menos assim:
Aprendemos que a maior parte das múmias viveu há muitos anos (tipo, depois da idade do gelo) no país dos egípcios, que é o Egipto. Estes senhores, que tinham sempre o corpo torcido e usavam franja como a minha mãe, passavam a vida (que na altura, era curta) a pensar na morte e em como haviam de ser empacotados no dia em que morressem.
Os maiores pacotes que se conhecem são as pirâmides, mas essas não estão no museu. Seja como for, dentro das pirâmides havia os sarcófagos (e desses há muitos no museu), uns caixões grandes, feitos de pedra ou madeira, onde se enfiavam as múmias e todas as coisas que faziam parte da sua vida. Quer dizer, não da das múmias, mas das pessoas que elas eram antes de o serem. Se eu fosse múmia, teriam de enfiar no meu sarcófago a PlayStation, a brazuca, as chuteiras do CR7 e uma ou duas embalagens de delícias do mar.
Esta é a múmia da Cleópatra e foi descoberta em 2009:
Aqui no museu diz-se que ela viveu 17 anos. A minha mãe acha pouco provável que em tão pouco tempo de vida ela tenha feito tanta coisa: ter dois namorados VIP, parir quatro filhos, manter residência em diversos e afastados locais do império romano, mandar matar um ou dois irmãos, entre outras...but, you know, you never know!
Além dos panos à volta das múmias, o interior dos sarcófagos estava cheio de pinturas, de desenhos e de escritos, que relatavam coisas normais da vida dos egípcios, como por exemplo, levar os bois à rua, ver os papiros crescer, contar as garças e os crocodilos do Nilo, fazer colecção de escaravelhos e domesticar gatos sem pêlo, todos eles endeusados, com poderes de super-herói. Hoje chama-se a isso storytelling. Na altura fazia-se com hieróglifos, uma espécie de alfabeto divertido.
E depois, vieram os romanos e acabaram com aquilo tudo. E o Egipto, que já tinha muitas dunas na altura, encheu-se ainda de mais dunas que cobriram pirâmides e palácios e desapareceu. Os hieróglifos deixaram de ser usados e as histórias das múmias foram esquecidas.
Muitos anos mais tarde, vieram os arqueólogos comandados por Napoleão, e tomaram conta do Egipto. Descobriram a pedra de Roseta, com o mesmo texto em três escritas diferentes, uma delas a dos hieróglifos. Fez-se a tradução e finalmente passou a ser possível contar as histórias das múmias. Se não fosse esta pedra, todos nós seriamos hoje muito mais pobres. E eu tinha ficado em casa a jogar FIFA 2015 ou PES 2016.
16/01/2016
15/01/2016
Não há futebol sem palavrões, mesmo dos que não o são
[À tarde, ao chegar a casa]
V— Mãe, o que quer dizer "what the hell"?
C— Qualquer coisa como "que raio"…
V— E "fucking hell"?
C— Isso é um bocadinho mau… Onde ouviste?
V— No recreio, a jogar à bola.
C— Pois, nem sei como traduzir isso.
[No dia a seguir]
V— Mãe, hoje estive de castigo. Um menino fez queixinhas de mim à professora.
C— E o que fizeste tu?
V— Estava à procura de "fucking hell" no dicionário.
C— … E encontraste?
V— Sim.
[No mesmo dia, num momento de pura introspecção]
V— Cona!
C— … [?…]
A— Que é isso, Vicente?
V— Canto!
V— Mãe, o que quer dizer "what the hell"?
C— Qualquer coisa como "que raio"…
V— E "fucking hell"?
C— Isso é um bocadinho mau… Onde ouviste?
V— No recreio, a jogar à bola.
C— Pois, nem sei como traduzir isso.
[No dia a seguir]
V— Mãe, hoje estive de castigo. Um menino fez queixinhas de mim à professora.
C— E o que fizeste tu?
V— Estava à procura de "fucking hell" no dicionário.
C— … E encontraste?
V— Sim.
[No mesmo dia, num momento de pura introspecção]
V— Cona!
C— … [?…]
A— Que é isso, Vicente?
V— Canto!
11/01/2016
Não há inglês impossível de traduzir
Os últimos dias têm sido dias difíceis para o Vicente.
O futebol é a causa dos grandes desconfortos.
Imagine-se que no PES 2016 (para os mais distraídos, PES é acrónimo de Pro Evolution Soccer e é um videojogo) tudo corria às mil maravilhas com uma "dream team" que incluía o Roberto Baggio como estrela principal. O Vicente ficou espantado com a minha cultura futebolística (para ele, mãe que percebe de futebol, ou está doente ou tem avaria de origem) quando lhe disse que sabia quem era o Baggio, que tinha sido jogador da Juventus e que na altura eu o achava muito giro. Ficou também muito feliz por ter no ecrã uma vedeta que eu conseguia reconhecer (e apreciar!) certamente por ter achado que isso lhe daria mais créditos (i.e., minutos) agarrado à PS4.
Corria tudo tão bem que o Vicente decidiu mudar o jogo todo para inglês, preterindo a versão farsola e, segundo ele, limitada, em português. De referir que neste jogo, aquele que se encontra com o comando na mão não põe apenas os jogadores a correr e a rematar a bola contra a baliza; mantém toda a equipa, compra e vende jogadores, troca de treinadores e gere o orçamento disponível! Uma vez em campo com as equipas e bola pronta a rolar, o jogo pode decorrer em rede, ou seja, ser jogado em tempo real contra uma equipa de alguém que, algures no mundo, agarra um comando semelhante e trata de negócios futebolísticos de igual ordem. O curioso é que aquele contra quem se joga pode ter também uma equipa assombrosa e por vezes vêem-se dois Baggios e dois Messis a jogar em simultâneo uns contra os outros…
A dada altura, o Vicente decidiu por o Roberto Baggio a treinar e assim que encontrou uma opção que dizia "qualquer-coisa-trainer", pimba… O Roberto Baggio desapareceu da equipa! A tristeza foi profunda. Só daqui a uns meses é que volta a ter dinheiro para poder comprar outro Roberto Baggio enquanto os outros pelo mundo fora mantêm os Baggios deles!… As lágrimas não correram, mas estiveram perto disso. E mais triste ainda ficou ao descobrir que a opção que ele havia escolhido não levou o Baggio para treinos mas antes o promoveu a treinador!
O futebol é a causa dos grandes desconfortos.
Imagine-se que no PES 2016 (para os mais distraídos, PES é acrónimo de Pro Evolution Soccer e é um videojogo) tudo corria às mil maravilhas com uma "dream team" que incluía o Roberto Baggio como estrela principal. O Vicente ficou espantado com a minha cultura futebolística (para ele, mãe que percebe de futebol, ou está doente ou tem avaria de origem) quando lhe disse que sabia quem era o Baggio, que tinha sido jogador da Juventus e que na altura eu o achava muito giro. Ficou também muito feliz por ter no ecrã uma vedeta que eu conseguia reconhecer (e apreciar!) certamente por ter achado que isso lhe daria mais créditos (i.e., minutos) agarrado à PS4.
Corria tudo tão bem que o Vicente decidiu mudar o jogo todo para inglês, preterindo a versão farsola e, segundo ele, limitada, em português. De referir que neste jogo, aquele que se encontra com o comando na mão não põe apenas os jogadores a correr e a rematar a bola contra a baliza; mantém toda a equipa, compra e vende jogadores, troca de treinadores e gere o orçamento disponível! Uma vez em campo com as equipas e bola pronta a rolar, o jogo pode decorrer em rede, ou seja, ser jogado em tempo real contra uma equipa de alguém que, algures no mundo, agarra um comando semelhante e trata de negócios futebolísticos de igual ordem. O curioso é que aquele contra quem se joga pode ter também uma equipa assombrosa e por vezes vêem-se dois Baggios e dois Messis a jogar em simultâneo uns contra os outros…
A dada altura, o Vicente decidiu por o Roberto Baggio a treinar e assim que encontrou uma opção que dizia "qualquer-coisa-trainer", pimba… O Roberto Baggio desapareceu da equipa! A tristeza foi profunda. Só daqui a uns meses é que volta a ter dinheiro para poder comprar outro Roberto Baggio enquanto os outros pelo mundo fora mantêm os Baggios deles!… As lágrimas não correram, mas estiveram perto disso. E mais triste ainda ficou ao descobrir que a opção que ele havia escolhido não levou o Baggio para treinos mas antes o promoveu a treinador!
02/01/2016
Cartas em Londres
Regressámos ao nosso sotão transformado em T2 e voilá!, esperava-me uma carta (enorme!) dos meus coleguinhas de sala de Aveiro — com os quais eu não me consegui encontrar por causa de uma muito inconveniente consulta de dentista. Era a resposta ao postal que lhes havia enviado em Novembro, a dar notícias, mas muito curtas. E eles vão e pimba!, escrevem-me uma carta (enorme!).
Agora tenho um problema em mãos: vou ter de lhes escrever de volta, assim qualquer coisa com muitas linhas como eles fizeram, para não parecer mal. E parece que isto das cartas tem preceitos e normas a seguir.
Só me meto em trabalhos!
Agora tenho um problema em mãos: vou ter de lhes escrever de volta, assim qualquer coisa com muitas linhas como eles fizeram, para não parecer mal. E parece que isto das cartas tem preceitos e normas a seguir.
Só me meto em trabalhos!









