Decidimos que era, portanto, um bom dia para nos enfiarmos num museu.
Boa ideia, vamos ver múmias! As múmias são mais ou menos assim:
Aprendemos que a maior parte das múmias viveu há muitos anos (tipo, depois da idade do gelo) no país dos egípcios, que é o Egipto. Estes senhores, que tinham sempre o corpo torcido e usavam franja como a minha mãe, passavam a vida (que na altura, era curta) a pensar na morte e em como haviam de ser empacotados no dia em que morressem.
Os maiores pacotes que se conhecem são as pirâmides, mas essas não estão no museu. Seja como for, dentro das pirâmides havia os sarcófagos (e desses há muitos no museu), uns caixões grandes, feitos de pedra ou madeira, onde se enfiavam as múmias e todas as coisas que faziam parte da sua vida. Quer dizer, não da das múmias, mas das pessoas que elas eram antes de o serem. Se eu fosse múmia, teriam de enfiar no meu sarcófago a PlayStation, a brazuca, as chuteiras do CR7 e uma ou duas embalagens de delícias do mar.
Esta é a múmia da Cleópatra e foi descoberta em 2009:
Aqui no museu diz-se que ela viveu 17 anos. A minha mãe acha pouco provável que em tão pouco tempo de vida ela tenha feito tanta coisa: ter dois namorados VIP, parir quatro filhos, manter residência em diversos e afastados locais do império romano, mandar matar um ou dois irmãos, entre outras...but, you know, you never know!
Além dos panos à volta das múmias, o interior dos sarcófagos estava cheio de pinturas, de desenhos e de escritos, que relatavam coisas normais da vida dos egípcios, como por exemplo, levar os bois à rua, ver os papiros crescer, contar as garças e os crocodilos do Nilo, fazer colecção de escaravelhos e domesticar gatos sem pêlo, todos eles endeusados, com poderes de super-herói. Hoje chama-se a isso storytelling. Na altura fazia-se com hieróglifos, uma espécie de alfabeto divertido.
E depois, vieram os romanos e acabaram com aquilo tudo. E o Egipto, que já tinha muitas dunas na altura, encheu-se ainda de mais dunas que cobriram pirâmides e palácios e desapareceu. Os hieróglifos deixaram de ser usados e as histórias das múmias foram esquecidas.
Muitos anos mais tarde, vieram os arqueólogos comandados por Napoleão, e tomaram conta do Egipto. Descobriram a pedra de Roseta, com o mesmo texto em três escritas diferentes, uma delas a dos hieróglifos. Fez-se a tradução e finalmente passou a ser possível contar as histórias das múmias. Se não fosse esta pedra, todos nós seriamos hoje muito mais pobres. E eu tinha ficado em casa a jogar FIFA 2015 ou PES 2016.













































