Um ano passou e eu voltei ao doutor dos olhos, tal como ficara combinado, para ver se o meu olho crescia alguma coisa. E não é que o meu olho cresceu mesmo? Vi e identifiquei tudo aquilo que ele me mostrou. Um dos exercícios que tive de fazer foi o de lhe dizer para que lado (cima, baixo, esquerda ou direita) estava virada uma letra a que ele chamava "a letra". Às tantas, não aguentei e tive de lhe explicar que "a letra" era um "E" e que ele podia e devia chamá-la pelo nome dela. Depois perguntei-lhe pela árvore, pela casinha e pelo cão que ele me tinha mostrado há um ano atrás e disse-lhe que também os ía conseguir ver, mas ele riu-se e disse-me que se eu tinha visto "a letra, desculpa, o E" não precisava de ver mais nada.
O doutor explicou à mami que ela pode esquecer o astigmatismo e a hipermetropia do ano passado e pronto, como só tenho uns folículos rasinhos que me causam algum incómodo nas pálpebras, ele pediu-me para voltar em Abril e prometeu-me que então me iria mostrar outras e mais letras.
Porque me portei bem, porque lhe ensinei o E e porque o meu olho cresceu, saí do doutor com um balão amarelo e um diploma de bom comportamento. Não é para todos!

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