24/08/2016

Sudoeste alentejano

Fomos com o Vasco e com os pais dele.
Fomos eu e a minha mãe, que o meu pai ficou em Londres a trabalhar.

Em S. Teotónio lá ficámos, numa casinha.
Daquelas com quartos e com piscina. Esta até tinha burros, cabras, galinhas e talvez coelhos. Não sabemos, estavam dentro de umas gaiolas. Os burros víamo-los ao longe (e acordávamos com eles a zurrar de manhã!) e as galinhas, loucas e aos ésses, a fugir de galos cheios de razão e de penas eriçadas, por vezes apareciam e invadiam-nos o campo de futebol.




No dia a seguir, preparámos sandes e farnéis completos e fomos para a praia da Amália. A Amália é aquela senhora equivalente ao Eusébio que também já morreu e que dizia "oigada, oigada" e que cantava a cantiga das tabuínhas, de que a minha mãe gosta muito.
A praia da Amália é única: atravessa-se uma selva amazónica (com o rio Amazonas a correr lá em baixo e tudo), cheia de perigos e lamas entaladoras, especialmente se levarmos Havaianas de tirinha. Os mais desprevenidos podem nunca mais de lá sair! Quando se termina a parte mais temerosa e se chega ao fim da falésia é preciso procurar as escadas, porque as civilizações antigas (mas não tão antigas como a Amália!) trataram de as esconder. O Rio Amazonas desagua no mar por uma queda de água enorme, onde nos fomos refrescar assim que conseguimos chegar à areia.




À noite, fomos jantar a uma espelunca cheia de pescadores curtidos e desdentados que olhavam para nós como se fossemos seres de outro planeta, onde até já tinhamos jantado na noite anterior e onde nos foi servido o melhor arroz de marisco que comemos até hoje. Além disso, havia gatos pequeninos, cheios de pulgas e de remelas, que nos entretiveram durante algum tempo...



No nosso último dia de Alentejo fomos à praia do Carvalhal. Esta praia tem umas piscinas de água, entre rochas, com altos e baixos que, se não dermos atenção, vamos mesmo abaixo. E lá em baixo, nas rochas, andam coisas estranhas, umas que picam e outras que escorregam... Eu e o Vasco ainda arriscámos as rochas mais lá ao fundo, mas tratámos de não explorar muito, não fossemos ser surpreendidos por... qualquer coisa assim, meio má...?



06/08/2016

O meu sonho de menina...

... era ir ao Monte de São Michel.
Os pelos dos braços eriçaram-se-me quando o vi lá ao fundo.
É um lugar único, inspirador para cenários como os do Harry Potter ou do Game of Thrones.
Temos de lá voltar.
Com o Vicente.
Com água.
À noite.



27/07/2016

Tenha quarto

Mãe, este é que é o meu quarto!



26/07/2016

De volta para o nosso aconchego

Domingo - Aveiro - casa - franguinho de churrasco - 2CV - Costa Nova


25/07/2016

A caminho da nossa casa tuga

O último dia de aulas foi-nos dispensado pelo Mr. Beeden, head teacher da Grange Primary School (com 100% de assiduidade, não esperávamos outra coisa).
Saímos bem cedinho dia 23, atravessámos o túnel, coisa que se faz em 25 minutos (lá em baixo) e que seria mesmo perfeito se as filas para entrar não fossem tão longas, e longas, e longas! Ainda fizémos um booooooooom pedaço de França, nada mais nada menos do que Calais-Poitiers (e com uma hora a menos nos nossos relógios!).


No resort do Futuroscope dormimos no hotel Jules Vernes, no quarto dos crocodilos.


No dia a seguir, sábado, depois de passarmos o inferno de Bordeaux, fomos almoçar e passear a Biarritz e chegámos a casa (a nossa casa tuga) aos 45 minutos de domingo. Com sono, mas prontos para outra!


19/07/2016

Oliver Twist em pleno Verão

Fazer parte de uma peça de teatro de final de ano na escola é um grande motivo de orgulho. Especialmente se for sobre o Oliver Twist e se andarmos a treinar para isto desde o half term. Mas a história do OT passa-se no Inverno e nós cá, às 20:00, à hora de início da representação, estamos com 29º. Parece-nos que os remendos e as nódoas são imprescindíveis, mas o casaco é dispensável...


10/07/2016

Oh Nelson oh Nelson, VigVenio à vista!


À porta da National Gallery, com o VigVenio lá ao fundo.
E à noite, já na cama, com a VigVictory do nosso Portugal.


03/07/2016

Tower Bridge

Desta vez, fomos mesmo à Tower Bridge! Lá dentro!
Depois de uma penosa subida, que derreteu imediatamente com o nosso almoço, acabou por valer bem a pena. O edifício tem o seu quê de industrial glamouroso e a vista é fantástica!



Depois, claro, tem aqueles dois corredores lá em cima com chão de vidro que transformam o espaço numa arena de selfies e de poses quase obscenas.


Finalmente, já cá fora, esperámos uns minutos para apanhar a ponte a abrir e a fechar. O Vicente fez questão de filmar tudo!


19/06/2016

Inês, old chap

Há muitos anos atrás o Vicente teve uma coleguinha de infantário chamada Inês Huet Casanova.
O infantário mudou, a escola primária começou e, tal como com muitos outros meninos que se cruzaram com o Vicente na sua pequena grande vida, a Inês desapareceu.
Seis anos volvidos e deparamo-nos com a complicada decisão de mudar de país. Um casal de colegas do Departamento de Educação da UA (que há dois anos havia decidido trocar a academia portuguesa pela inglesa) ajudou-nos a decidir, mostrando-nos as vantagens profissionais que isso (me) traria. Curiosamente, cá em Londres vivemos relativamente perto deles e, por isso, lá nos vamos encontrando ao fim-de-semana, quando calha. Mais curioso ainda é que a filha mais velha deles, de seu nome Inês, é a Inês Huet Casanova do infantário.


15/06/2016

Visita de estudo à Sky Studios

Os Studios da Sky ficam mesmo aqui ao lado.
Passamos por eles sempre que vamos ao hipermercado.

A escola do Vicente organizou uma visita de estudo à Sky e eu ofereci-me de imediato para ir fazer de mãe-ajudante! (Devo referir que não me ofereci para ir a nenhuma das outras visitas de estudo ou actividades no exterior, como a base aérea da RAF, o templo Sikh, os corta-matos no parque, entre outras).

Depois de visitar os estúdios da Sky Sports, de ver lá ao fundo por uma janelinha os jornalistas da Sky News em directo, e de passar pelo corredor onde, no momento, se filmavam algumas das cenas de interior do Game of Thrones, a turma foi levada para a Sky Academy para experimentar fazer uma peça noticiosa sobre catástrofes naturais.


Foi dividida em quatro grupos e a cada elemento do grupo foi atribuído um papel: o grupo do Vicente escolheu os tornados e ficou responsável pelas entrevistas no local. O Vicente foi o realizador e um dos voz-off (no seu melhor inglês!), e depois havia um produtor, uma operadora de camara, uma editora, uma reporter, uma desalojada e um cientista — cuja autoridade ficou um pouco por credibilizar porque o coitado, de origem muito grega e chegado a Londres há pouco mais que o Vicente, tinha de ler as deixas dele no ponto, que para ele passava a correr.



Claro que a parte mais gira foi a de quando o croma por trás deles foi transformado em imagens de tornados e cidades viradas do avesso, só no ecrã. O fundo verde da realidade e o fundo faz de conta na televisão foi um evento de grande fascínio.


No fim, o grupo montou a sua peça que depois encaixou com as peças dos outros três grupos, num trabalho final que uns dias depois lhes foi enviado para a escola (mas que por motivos óbvios de privacidade não podemos publicar nestes meios).

14/06/2016

Mister Cheef, lost in translation

PARTE 1, em casa

V — Mãe, temos uma professora nova de DT (Design e Tecnologia). É do Canadá.
C — Ena! E do lado francês ou do lado inglês?
V — Deve ser dos dois, porque o último nome dela escreve-se Chefe, mas diz-se Cheef.
C — Isso não faz muito sentido…
V — … É, ela não faz muito sentido…
C — Então?
V — Então ela quer que a tratemos por Mister Cheef!
C — Mister?
V — Mister!
C — Vicente, se calhar foste tu que percebeste mal!
V — Não percebi nada mal, até os meus colegas que nasceram cá dizem "it doesn't make any sense!"
C — …
V — Mister Cheef, mãe.
C — Mas ela parece-se… com um homem?
V — Não.
C — Nem um bocadinho?
V — Eu acho que não.
C — Tem maminhas?
V — Oh mãe, sei lá!!! Achas???

PARTE 2, University of West London, open office, colegas

C — S, tu que és do Canadá, explica-me isto: o meu filho tem uma prof canadiana que lhes pede para a tratarem por Mister. Mister Chefe... Está aqui a escapar-me alguma coisa?
S — [??] Será que ele percebeu bem?
C — Ele garante que sim e que os próprios colegas nativos se queixam que não faz sentido e que gozam com a situação.
S — Bem, diria que é claramente um problema de identidade... será trans? Se calhar ainda não resolveu o nome!
A — Eu tenho duas sobrinhas trans!
S — Duas??? Isso é genético?
A — Não, porque nem sequer são do mesmo lado da família... já foram homens, agora são mulheres. O processo de mudança do nome no caso delas ficou para o fim...
C — Foi o que me ocorreu, mas parece-me que se assim fosse as crianças deviam ser minimamente informadas, até para aprenderem a lidar com casos destes, sem chacota e sem desprezo.
S — Claro, a Prof principal devia ter falado com a turma…
A — Bem, parece-me que neste caso, terás de ser tu a falar com o teu filho.

PARTE 3, Grange Primary School, sala de aula, professora principal

C — Miss, o V está baralhado e os colegas não o conseguem ajudar nisto: a nova Prof quer que eles a tratem por Mister Chefe…?
M — Mister Chefe?
C — Sim, e ele garante-me que ela é… fêmea?
M — Ahhh… :)  Miss Da Chefe! O último nome dela tem o "prefixo" Da. Miss Da Chefe. Ela deve pronunciar muito depressa e eles não perceberam à primeira.
C — Nem à primeira, nem à segunda… Talvez escrevendo o nome dela ajudasse?
M — Obrigada por avisar, vou escrever o nome dela no quadro e explicar-lhes… que ela é mesmo fêmea.

11/06/2016

9º Aniversário, o dia, em Londres

Hoje foi o dia de aniversário do Vicente.
Com a festa já tratada há uma semana atrás e com o tempo instável a prometer um fim-de-semana de chuva, o programa não foi muito arrojado e optámos por algo lá fora cá perto. Kew Gardens.


Admitimos que não é o modo mais interessante de se passar o dia de anos, especialmente quando se faz 9, mas os caminhos labirínticos por entre arbustos e árvores, os troncos que se treparam, os percursos pelos topos das árvores, entre elas sequóias, e as outras coisas enormes que vimos, como as folhas que no Chile são usadas como guarda-chuvas, não deixou de ter o seu quê de interessante.


Não obstante, passar o dia de anos só com adultos (ainda por cima os mesmos de todos os dias), sem receber prenda nenhuma e a ver as horas a passar e a perceber que a maioria dos habituées não se lembrou nem de ligar nem de mandar mensagem, deixou o rapaz triste — para não dizer deprimido. À hora do jantar não conseguiu mais conter as lágrimas. Valeu-nos uma vela e uma fatia de bolo de backup (antecipámos a coisa!) e uma prendinha simbólica, só para fechar o dia. Aos que se lembraram, o nosso obrigada!


04/06/2016

9º Aniversário, festa em Portugal


Este foi o bolo deste ano.
Comemora a nossa vinda para o Reino Unido, o sucesso da integração do Vicente, o inglês coloquial que ele tão rapidamente aprendeu e, sim, os 90 anos da Rainha, que não queremos ofender ninguém!

O Vicente convidou mais ou menos os mesmos meninos de sempre, mas este ano vieram todos e por isso, se normalmente tínhamos de gerir 12 ou 13 crianças, este ano contámos com 20!

Lá se sopraram as velas e, depois de muitas tentativas, lá se fez a difícil foto de grupo.



O momento alto foi o da guerra de balões de água, claramente em número insuficiente. Registado em video, aqui!

Foi uma grande festa, mas agora merecíamos uma semana de férias, assim à laia de bónus!

22/05/2016

Walpole, o nosso parque

Em Ealing, por trás de casa.


Com o Theo, o novo vizinho do lado, grande jogador de cricket.


20/05/2016

Em Overdale

Mudámos de casa.
Para uma casa vitoriana, com uma cozinha separada da sala — que se divide em sala de estar e sala de jantar — com um quarto double, um quarto single e um quarto half e com as features da altura — que é o mesmo que dizer vidros simples, janelas de guilhotina que não fecham (ou que não abrem), carpete por todo o lado, escadas íngremes com degraus para pés de gueixa, casa de banho minúscula (nem vale a pena dizer que não tem bidé, certo?) e uma cozinha com um exaustor cuja chaminé termina… no armário por cima do exaustor. Isto é o normal e isto foi o que vimos e que decidimos aceitar depois de ver a casa.


O que não sabíamos é que, além de nós, haveria mais inquilinos. Inquilinas. Muitas mais!
Assim que começámos a montar móveis elas apareceram, cheias de interesse, pressa, energia e FOME! Pulgas por todo o lado! Até conseguirmos que o pest control cá viesse resolver-nos isto, sprayzámos a casa toda e deixámos killing pools pelo chão. Isto, claro, depois de termos tirado uma pós-graduação em pulgas, online e em menos de 45mn!


Mas no fim, tudo se compôs.
As inquilinas parasitas desapareceram e nós entrámos na propriedade no dia em que a nossa nova rua estava fechada ao trânsito, ao abrigo do programa Play Streets Ealing. E assim se fizeram, imediatamente, novos amigos!



17/05/2016

Vai uma rodinha?

Chego eu um dia a casa, cansada de um intenso dia de muito trabalho (mas preparada para desmanchar móveis e encaixotar tralhas), quando me deparo com isto:

10/05/2016

A despedir de Ranelagh Road

Como não há melhor forma de adaptação a um novo estilo de vida do que a de evitar a estabilidade, estamos a preparar-nos para nos mudar de casa. Paulatinamente, vamo-nos despedindo do apartamento que nos acolheu em Londres, quando cá chegámos, há sete meses atrás.