13/06/2011

Quatr'anes!

Tive uma grande e rica festa! A mami e o papi limparam a garagem e o telheiro, a Anastácia foi de férias, os brinquedos vieram todos cá para baixo e foi lá que recebi os meus amiguinhos e onde nos fartámos de brincar. Foi muito gira e muito grande, a minha festa! As fotografias explicam tudo muito bem.







03/06/2011

Sem rodinhas e com quatro rodas (todas iguais)!

Sim, é verdade.
Já ando mesmo sem rodinhas na bicicleta. Só ainda não sei arrancar, nem travar, e também não me desvio muito bem das coisas, mas já subo e desço a rua toda sem ninguém a agarrar-me. Foi um instante. E ainda não tenho 4 anos!





E… porque o papi não aguentava mais, no dia da criança recebi a minha prenda de anos: um jeep a pedais! Não, não é um triciclo porque tem quatro rodas, é mesmo um jeep! Nestes dois dias tenho apurado tanto a minha condução — a que se sustenta em duas rodas mas também esta sustentada em quatro rodas iguais — que o capacete passou a ser pré-requisito e já se revelou ser pouco. Vamos ter de juntar as cotoveleiras, joelheiras e mitenes! Sou muito radical… E ainda não tenho 4 anos!


30/05/2011

De bicicleta sem rodinhas!


Achei melhor avisar-vos que já tirei as rodinhas da bicicleta. Os meninos mais velhos aqui da rua têm puxado muito por mim e pronto, enchi-me de coragem e pedi ao papi para as tirar.

E também vos devo dizer que, em recta, sem nada que me distraia e devidamente descontraído, já devo ter percorrido para aí um metro sem ajuda!

05/05/2011

Dia da minha mãe

No dia da mãe ofereci à mami:


- um postal com um desenho meu onde estou eu e ela, num lindo dia de sol com nuvens, e muitas amêndoas da Páscoa pelo chão;
- uma planta aquática à qual só é preciso ir acrescentando água;
- trapos e berloques para ela fazer um colar com a minha ajuda.

Dei muitas prendas à minha mãe!

28/04/2011

Páscoa alada


Lá fomos nós para o Algarve, desta vez de avião, para experimentar. Andar de avião não é nada de extraordinário. Fi-lo como se o fizesse todos os dias. A velocidade que se sente ao levantar não é nada de especial comparada com a velocidade que atinjo nos meus jogos de corridas no iPad ou na Wii. Estar lá em cima por cima das nuvens é luminoso demais e não se consegue olhar lá para fora; estar lá em cima sem nuvens por baixo dá para ver coisas pequeninas, mas francamente, sem grande interesse. A nave espacial do Homem-Aranha na Feira de Março é bem mais gira! E a aterragem… oh, grande coisa… estico as pernas em direcção ao banco da frente e assim ajudo os pilotos a travar.

Não, andar de avião é uma seca! Temos de esperar que o comboio saia de Aveiro, temos de esperar que o comboio chegue ao Porto, depois temos de esperar pelo Andante e lá dentro temos de esperar que o Andante chegue ao Aeroporto, onde temos de esperar pela hora de embarque, depois esperamos que os passageiros se sentem e ainda temos que esperar que o avião chegue ao destino para a seguir esperar pela chegada a Portimão. E no regresso esperamos por tudo isto mas ao contrário. Cansei-me de tanto esperar. É que quando vamos de carro só espero uma vez na ida e outra na volta! A única vantagem (mesmo!) foi ter ganho um modelo do avião em que viajámos ;)

19/04/2011

Serra da Estrela com neve q.b.

Descemos-descemos-descemos. Subimos… Subimos… subimos…



Preparei bolas e atirei-as. Também apanhei com algumas!



Joguei à bola, marquei golos e dei muitos chutos.



No domingo perguntei à mami se podiamos ficar mais dias naquela casinha pequenina com aquela gente simpática, todos primaços, leões e animais.

14/04/2011

Invasão, câmbio!


Aqui soldado Capacete Azul às Riscas, matrícula VLAJ07, em posição relativa Lat 40.6333, Lon -8.6500. Trincheiras prontas e elevadas, situação priveligiada com boa visibilidade e vento norte com rajadas de 3 nós. Intruso sob mira em monóculo de lente Renova® e espingarda de madeira, calibre 55,67 pronta a disparar sob comando. A 2,5 m de distância, caucasiano, 40 anos, 1m80/90cm, muito peso, categoria FREAK (Faísca-Rampa-Elevador-Alfa-King). Armado com headphones e guitarra sem DÓ, com 2 MIs, munições EBGDAE. Testa quatro acordes, supõe-se que esteja preparado para os investir na nossa direcção - barulho ensurdecedor destrói sementeiras e mata toupeiras recém-nascidas nas populações mais próximas. Over-and-Out!

11/04/2011

Feira de Março com novidades!


Lá fomos a mais uma Feira de Março para eu experimentar a loucura dos carrocéis. Este ano havia diferenças… não havia helicópteros do Zé. Havia muitas naves de vários formatos e feitios, curiosamente com grande oferta de formato "Homem-Aranha". Comecei por uma nave espacial para pequeninos, com cinto, barra de protecção e que levantava pouquinho. Deu tantas, tantas voltas que, passado um bocado, quando passava pela mami dizia-lhe "isto nunca mais pára!"
Finalmente acabou e fomos à procura de algo mais radical, e sim! estava mesmo ali à frente! Umas naves espaciais, sem cinto, sem barra de protecção, com super-heróis e princesas à escolha e com um pedal para subir e descer! "Quero a do Homem-Aranha!" Por pouco não ficávamos sem a dita nave porque a procura deste super-herói é elevada entre pares… Mas conseguimo-la e lá fomos nós, Vicente e mami, pelas alturas, a espreitar o papi lá em baixo, com os pés bem assentes no chão. Neste também démos muitas voltas… quer dizer, a mami achou muitas, eu achei que estava bem assim.


Mas o que havia de diferente mesmo era uma piscina com naves aquáticas! E lá fomos nós, Vicente e papi, tentar comandar uma nave que, de início, era incontrolável. Quando finalmente apanhámos o jeito e o entusiamo de conduzir uma nave que mais parecia uma lancha rápida (pela posição de proa levantada que as outras ganham graças à velocidade e que neste caso se devia aos 90Kg que levava atrás), tocou a sineta e as naves pararam todas… Ohhhh…



Mas logo a seguir fomos aos golfinhos de goma (cada um com um palmo de comprimento!). Este ano não houve farturas.

03/04/2011

Retratos da malta (da família)


O registo da malta que compõe a família continua.

Depois de muitos avôs Mários, avós Anas, Vicentes e algumas mamis e papis, chegou a vez dos OUTROS! Aqueles que, por opção ou por imposição, estão mais distantes, mas muito presentes na imaginação do Vicente. Este extraordinário retrato, que considero dever ser preservado pela exactidão com que o artista registou algumas das mais evidentes características dos visados, é um excelente exemplo disso. Quando lhe foi pedido para identificar estes três sujeitos (um visivelmente magro, outro explicitamente gordo e outro indubitavelmente deitado) o Vicente foi categórico: O Ricardo, o Pedro Pedrito e a Adriana.

Depois, ainda acrescentou que o Ricardo é vermelho porque é do Benfica e que a Adriana é azul porque é do Porto. Como não sabe a que clube pertence o Pedrito Nosso Querido, sobrou-lhe o verde, dizendo que ele não se importa de ficar com o Sporting.

Acho que o meu filho tem jeito para o retrato…

05/03/2011

Carnaval Aracnídea

Xiii, éramos quatro! Ganhámos em maioria a todos os muitos super-heróis, vilões, palhaços, ursinhos e princesas (tantas princesas!) Mas as princesas eram de sítios e histórias diferentes por isso não tiveram como competir connosco. Nós os quatro éramos o Homem-Aranha!!! (à excepção da hora da sesta em que voltámos a ser todos o Peter Parker). Ainda assim, os nossos fatos eram todos diferentes! O meu era o único que não era inteiriço e fui o único que levou botas vermelhas! Também era o único que tinha máscara de tecido porque os outros Homens-Aranha tinham uma mascarilha de papel. Mas éramos todos igualmente poderosos e flexíveis e todos sabíamos atirar teias muito bem.

Aqui estamos dois, já cansados de um extenso dia de luta contra malfeitores e a desmanchar o nosso disfarce. Vicente Peter Parker e Miguel Peter Parker.

02/03/2011

A figura humana

Olá!
Já sei desenhar pessoas! Esta semana tenho desenhado pessoas atrás de pessoas e depois as mesmas pessoas mas em condições diferentes. Vou mostrar-vos alguns exemplos, da esquerda para a direita e de cima para baixo:


1. O avô Mário
2. A avó Ana
3. A avó Ana quando toma banho com o cabelo
4. A avó Ana com orelhas
5. O avô Mário com orelhas, com óculos e quando tinha cabelo vermelho
6. A mami com brincos nas orelhas

Que tal? :)

22/02/2011

O número 50

O Vicente tem tido, ultimamente, múltiplas actividades e motivações que envolvem o número 50. Para ele, o número não é bem número, mas apenas dois algarismos por acaso postos ao lado um do outro.

Na semana passada, íamos nós para a escolinha na Peugeot, com o Vicente sentado no único banco disponível (o da frente!) de perna traçada e a controlar a intensidade dos perigos da pista por onde seguíamos (neste caso, na rua da Estação) quando de repente se sai com um grito que me acentuou as taquicardias e me ía provocando uma síncope: "Mami, passaste o 5 e o 0!" E eu, convencida de que havia alguma coisa exterior à minha - até então - confortável e amena condução, pus-me a olhar freneticamente pelas janelas e pelos retrovisores, à procura do 5 e do 0, que podiam ser potencialmente qualquer coisa, como dois comboios alinhados ali ao nosso lado, ou a hora de chegar à escolinha, já que o vicente vê as horas precisamente indicando os dois números dos quais os ponteiros mais se aproximam, ou ainda dois novos super-heróis ou "gregormitis" em pose de ataque, num outdoor que eu certamente não vira.

Claro que só quando a histeria passou e ele conseguiu apontar para o painel do carro, o 5 e o 0 juntaram-se e eu percebi tratar-se de um 50 para além do qual o peso do meu pé não devia ter passado.


Já esta semana, tivémos outra sessão de 50: o Ricardo mandou 50 moedas de euro para a gaveta que o Vicente tem no banco. Ora, coisa como esta não pode passar por "5 e 0" daí que decidimos abrir a vaca e espreitar o conteúdo, que felizmente já nos permitia contar até 50. Fizémos 5 montinhos de 10 moedas e contámo-las, primeiro por monte, e depois todas de seguida. Mas como o 50 que aqueles montes totalizam ainda não representava nada de extraordinário para o Vicente, juntámos os 5 montinhos para o Vicente agarrar no seu conteúdo. Aí sim, ele disse: "Não consigo, são muitas! São 50!"

21/02/2011

Em Montemor, no castelo e à lampreia


Com o objectivo de levar alguma malta a experimentar lampreia, lá fomos até Montemor-o-Velho, na condição de começar por visitar o castelo. Já lá dentro, o Vicente continuou a perguntar pelo castelo e apesar de lhe explicarmos que "aquilo" onde estávamos era o castelo, ele não ficou convencido. Para ele, estar no castelo, e não haver tecto, ou salas de reis e cavaleiros, não é bem-bem estar num castelo… é estar fora do castelo, ao pé das muralhas que, bem visto, são só os muros do castelo. De facto, em Montemor, não se entra para lado nenhum com ar imponente de poder ser ocupado por reis e cavaleiros de outro tempo, a não ser numa igreja que lá está no cucuruto. E assim sendo, lá fomos almoçar a tal lampreia, para uns muito boa, para outros nem por isso…

03/02/2011

Quem sou eu?


Serei um morcego ou uma aranha?
Vestir-me-ei de preto ou de vermelho?
Serei rico ou serei pobre?
Andarei de carro high-tech ou de teia extra-forte?
Lutarei contra pinguins ou contra duendes?
Terei como agregado familiar um mordomo ou uma tia?

Eu sei, mas não posso dizer… por enquanto!

24/01/2011

Viagem ao mundo dos códigos

O Vicente já dá cartas nas letras do alfabeto há muito. Na nova escolinha, para além de deixar todo o staff boquiaberto com o seu voraz apetite e com o seu à vontade no que respeita a alimentos considerados estranhos e evitados pela maioria ("paizinho, ele come beterraba e pepino!!!") mostrou-se um dos meninos mais interessado nas letras. Desta feita, e porque o interesse é genuíno e não lhe foi imposto, o papi António abriu-lhe o Text Edit, pos-lhe o corpo da letra em tamanho considerável e, vamos lá escrever Vicente. E não é que o rapaz se saíu muito bem? Tirando o Ç ao qual ele achou muita piada (nunca o tinha visto, com uma cauda daquelas!), o resultado é bastante bom!


Tirando isso, que não ficamos por aqui, o rapaz já se revela atento aos sinais de trânsito, interpretando à sua maneira (mas com muita lógica!) os sinais que mais o cativam. Então, saiba-se que este sinal, significa doravante que os grandes só podem atravessar a rua se derem a mão a um menino. Considero brilhante este sentido precoce de responsabilidade.

10/01/2011

Patinagem no gelo e São Gonçalinho

Que grande fim-de-semana, este! No sábado, enquanto a mami comprava fruta e hortaliças, eu e o papi fomos espreitar a pista de gelo. Muito afoito, quis experimentar! E lá fui eu, deslizar e escorregar de patins. Diverti-me à brava, apesar do frio!


No domingo, passámos pelo S. Gonçalinho. Este ano já quis participar e tentei apanhar umas cavacas às cavalitas do papi. Apanhei uma que foi parar em cima de um toldo. Mas é preciso ter muito cuidado porque quando elas nos batem na tola, magoam a sério!…

05/01/2011

Mudei de escolinha

Pois, agora passei para uma escola que eu digo que é dos grandes, mas onde também há bebés. Eu estou na sala dos grandes, com três dos meninos que me acompanham desde o berçário, entre outros que já estavam nessa escola nova. Não cheguei a perceber bem por que foi preciso mudar de escola, mas estou contente com os brinquedos novos e com as paredes que, apesar de verdes (e eu já me manifestei contra aquela tonalidade em especial), vêm em curva do chão; claro que eu já descobri, com o devido embalo e ângulo, como conseguir por os carrinhos a trepar as paredes com efeito e tudo, quase como numa pista nascar.

26/12/2010

Natal com visita especial


Depois de muitas bolinhas verdes, algumas amarelas e nenhuma vermelha já não havia dúvidas: o Pai Natal ía trazer-me muitas prendas. O que eu não sabia é que ele ía visitar-me à casa da avó e do avô e entregar-me uma prenda pessoalmente.

Fiquei um pouco espantado quando o vi, especialmente porque ele era diferente do pai Natal que tenho visto na televisão e do que estava na cabana do Forum. Usava uns óculos estranhos e o nariz, que costuma estar sempre muito vermelho do frio que ele apanha, era muito clarinho, mais claro que a pele do resto da cara. Bom, este Pai Natal tinha uma sobrancelha muito torta, meio descaída e fios de bigode a sairem-lhe da boca; vinha meio espartilhado e com uma voz que não me era estranha. Pior do que tudo isto, estava ferido: trazia a mão ligada e um dos dedos muito inchado. Disse que se tinha magoado numa chaminé, de outra casa. Mas o mais engraçado deste Pai Natal eram as suas botas que não eram as habituais pretas (apesar de eu insistir que já o vi com botas vermelhas), mas sim umas botas assapatilhadas iguais a umas do Ricardo. Se não fosse o dedo inchado, eu diria que era o meu tio tristemente disfarçado de Pai Natal, mas como o meu tio quando chegou a casa não tinha qualquer problema nas mãos fiquei assim sem saber bem o que pensar… Uma coisa é certa: o Pai Natal está tão velho que a sua figura é, no mínimo, desprestigiante.

24/11/2010

You better watch out… em jeito de advento


Começou ontem o nosso advento pagão. Tenho uma grande tela onde, à noite, depois de todas as actividades, reflicto sobre o meu préstimo nesse dia resumido a cinco grandes áreas: refeições, comportamento, soninho, brincadeira e higiene. Se eu conseguir reunir cinco bolinhas verdes, tenho direito a uma estrela que colo no calendário, no dia respectivo. Basta uma bolinha vermelha para eu não receber a estrela. As estrelas são o chamariz para o Pai Natal que está para chegar dentro de uns dias: se eu tiver mais estrelas do que não-estrelas, o Pai Natal encontra a minha casa e vem deixar-me prendas. Para começar, não estou nada mal!

19/11/2010

Ter uma Avó Isaura

Ter tido uma Avó Isaura significa muito mais do que ter tido uma Avó Isaura - isso é apenas biológico e todos nós tivemos avós, algumas até de seu nome igual ao desta.

Ter tido uma avó Isaura representa o legado biológico desenhado na árvore, nas parecenças físicas, umas bem evidentes, outras imaginadas, mas representa também (e bem mais) a herança de uma experiência que o sangue só por si não consegue transportar. É preciso viver e saborear uma avó Isaura para dela receber o que eu pude receber.

Memórias remotas transportam-me até ao 6ºC, a umas manhãs em que se preparava bolo, o inconfundível "Bolo da Avó Isaura", cuja massa ela mexia numa tigela de cerâmica branca, na altura já lascada, com as suas mãos cheias de veias azuis e com as unhas facetadas, tal como as minhas. Eu tinha o privilégio de rapar a taça, mas só depois de ela a ter cuidadosamente rapado com a espátula. Também lambiscava a espátula, mas era às escondidas porque ela não gostava que a espátula fosse lambida (nunca cheguei a perceber porquê). Depois, conduzia-me até à casa-de-banho, mesmo em frente à cozinha, e lavava-me as mãos e as minhas membranas digitais feitas de massa de bolo já seco, naquele espaço que me parecia enorme, onde havia um gigantesco pé no chão e no lavatório sempre, sempre, um sabonete de glicerina. Memórias odoríferas levam-me a evocar momentos curtos em que ela tratava da sua higiene - havia um desodorizante roll-on de frasco em vidro e tampa de metal (lembro-me perfeitamente da embalagem, não me lembro da marca), daqueles do tempo da pasta medicinal Couto, e a água de colónia que se trazia de Ayamonte. Nesses momentos, como precisava que eu lhe largasse a saia por instantes, punha-me a ouvir o mar dentro do grande búzio, sensação que na altura, para mim, era absolutamente mágica. Havia também uma preta magricela que dançava num só pé, quase nua e de bandeja na mão, por trás da porta da entrada do apartamento e com a qual eu simpatizava particularmente porque tinha quase a minha altura. Essa preta tinha as maminhas à mostra e eu lembro-me de ficar a olhá-la, com vontade de a vestir - havia restos de tecido junto à máquina de costura, por que motivo ainda não a tinham coberto? Dizia-me apenas que não lhe podia mexer porque era do Tio João… E quando voltava comigo à casa-de-banho, para me auxiliar em tarefas de sanita, depois de me por no chão, dava-me sempre uma palmada a fingir e dizia, enquanto me mordiscava o pescoço, "que rabo bom para levar uns açoites".

Aprendi com esta avó uma colecção de cantigas e lengalengas, uma ou outra história, e a jogar às cartas, mais concretamente, ao Burro. Aprendi com ela a Avé Maria e a rezar ao São Tomás de Vilanova, o padroeiro dos perdidos e achados, a quem recorríamos com frequência para encontrar as chaves de casa ou o porta-moedas. Aprendi a fazer croché e frioleira com aquela estranha agulha que parece saída das entranhas de uma lula, mas eram actividades que, para grande desgosto dela que dizia ter encontrado em mim rapariga prendada naquilo, nunca me interessaram nem um bocadinho. Ainda assim, não satisfeita com a minha desistência, encheu-me daquilo que para mim é um imenso e demasiado enxoval, cujo uso tem sido parco mas grande tem sido a estima, e que a partir de hoje, estranhamente, passou a ter um valor digno de cofre de banco.

Dignidade e humildade q.b. terei herdado desta minha doce avó que mimava pequenas coisas - para alguns insignificâncias -, tais como as suas plantas, os seus tarecos em ordem, o colarinho engomado, a casa limpa, o saber viver com pouco ou menos do que os outros, o saber rir com vontade (como ela ria quando contava o episódio da dentadura da Avó Elvira), mas também o saber estar em silêncio. Ensinou-me ainda o que significa "saudade" quando, na véspera das minhas vindas para Aveiro, em tempos de licenciatura, me entregava uma lata cheia de biscoitos e, enquanto me pedia uma pontinha de camisola interior para limpar as lentes dos óculos, embaciadas, enfiava-me no elevador, lavada em lágrimas.

Eu tive a sorte de com ela passar o tempo suficiente para perceber a importância do papel de uma avó no desenvolvimento de um ser. Quando eu for grande e avó, não vou saber fazer enxovais, crochés, nem tão pouco frioleira. Os meus biscoitos nunca serão tão bons como os dela e o meu bolo, ainda que eu insista em dizer que é bolo da avó Isaura, não tem aquela intransmissível textura e consistência. Mas vou querer saber estar num papel tácito de avó, que desejo seja idêntico àquele que ela me deixou com ela viver e saborear.

01/11/2010

Afinal o dia das bruxas é que é!

Este ano já fui convocado para participar no Halloween da Rua de Sta Luzia. Claro que a única coisa de que eu me mascaro é de Homem-Aranha, mas a mami disse que podia ser porque como ele é tão ou mais assustador que qualquer bruxa que muito se esmere, certamente não iria ficar muito aquém, comparado com os outros meninos, meus concorrentes em tarefa de meter medo.

Lá para as horas em que já se lanchou mas ainda não se está a jantar, e acabado de chegar de uma festa de anos "em ambulatório", a mami pintou-me uma teia na cara com um lápis que é quase baton e que não dói (quando eu for grande vou pintar uma teia na cara com aquelas agulhas que deitam tinta, mas como eu sou o Homem-Aranha não me vai doer), calçou-me as minhas botas de Homem-Aranha e a minha capa de Homem-Aranha (é uma que ele põe só às vezes, quando está de chuva e para não estragar o fato dele) e lá fui eu, convidar a minha amiga Abóbora (que em dias de escola se chama Becas) para irmos de porta em porta meter medo a essa gente.



E adivinhem! Com o nosso ar assustador, ela muda e sorumbática, e eu, desconfiado e a cuspinhar muito baixinho "Estavessuas ou estavessuas", enchemos os nossos sacos de "dossuas", de tal modo que o meu veio de rojo até casa e o da Abóbora teve a minha mami de o trazer.

Hoje, enquanto os demais portugueses arranjavam sepulturas eu, Homem-Aranha, passei o dia a separar rebuçados por temas e a decorar uma grande lata (outrora de biscoitos) para onde despejei este meu tesouro, autêntico resplendor de cores e infinitamente rico em odores. Não há nada melhor!

20/10/2010

Pitosga, mas não o suficiente!


Pois, é! Depois de três dias a dilatar a pupila para se poder mostrar o nervo óptico ao senhor doutor, lá fui eu hoje, pela segunda vez em menos de oito dias, ao doutor dos olhos. Hoje entrei muito confiante e cumprimentei-o com um "Olá!" forte e convicto. Inclusivamente, mostrei-lhe o que estava dentro do meu saco e disse-lhe que tínhamos ido comprar a prenda de anos do meu amigo João da escolinha. Estava mesmo convencido de que também ele ía ser meu amigo e receitar-me uns óculos vermelhos! Mas afinal, sou só meio pitosga. Tenho uma hipermetropia de 3,5 dioptrias, o que significa que daqui a um ano volto para medir tudo outra vez. Mas, quer dizer, eu não deixo de estar muito preocupado! O doutor explicou que eu tenho o olho pequeno. Ora, como eu agora sou, frequentemente, o homem-aranha, na minha vida agitada de super-herói a tempo parcial pode acontecer o meu olho ficar frouxo e cair…

Eu continuo a achar que era melhor comprar uns óculos vermelhos a condizer com a minha mascarilha…

17/10/2010

A água que entra também sai


Eu e as idas à casa-de-banho teremos grandes histórias para contar ao meu menino e aos meninos dele. Sou muito preguiçoso neste assunto e a minha tripa, a meio deste ano, começou a parar.

Depois de uns xaropes daqueles de fazer cocó aos trambolhões (que de pouco serviram), a estratégia foi re-orientada e eu passei a andar sempre com 75 cl de água comigo, porque as cólicas eram mais que muitas. E mesmo assim, não tem estado a ser fácil converter essa água que entra em coisas que saem!

Ultimamente, e mais concretamente, desde os últimos dez dias, a minha relação com a sanita mudou. Estou muito assíduo, o resultado é de consistência agradável e já não fico prostrado nem magoado. O que é estranho é que a quantidade de água ingerida continua a ser a mesma, mas de há dez dias para cá que acordo alagado na minha água que agora também sai e que não é contida pelas minhas fraldas normais. Nos últimos dez dias tenho tido sempre a cama feita de novo e pijama lavadinho.

O que mudou? A única coisa que se alterou nos meus hábitos foi o surgimento de uma estranha fome antes de se apagar a luz (já depois de lida a história), que leva a mami, muito contrariada, a dar-me um iogurte pequenino ou uma chávena [de café] com leite e um cheirinho de chocolate ou mel (que bom!).

Mas eu já cheguei mesmo a dizer-lhe que não me importava se fosse sopa!

02/10/2010

Coisas doces, etéreas, idílicas e únicas


V - Mami, quando eu for grande, eu quero casar contigo!







C - Quero um beijinho de boa noite muito grande!
V - Daqui até à lua?







V - Quando eu for ast'onauta, papi, tu vens comigo no foguetão… Mas oh papi!, não é preciso levar a mochila!







V - Não! Eu não quero limpar o nariz!! Quero levar os macacos comigo, quando eu for para o céu!!!







V - Mami, quando eu for à América, trago um remédio para os teus doi-dois da boca [entenda-se "aftas"].







C - Que sorte, o teu casaco tem bolsos… o meu não.
V - Oh mami, quando eu for grande, compro-te muitos casacos com bolsos! Azuis! Muitos!





V - Quando eu for papi, o meu menino vai ter muitas gomas e M&Ms!

27/09/2010

Festa da Rua


No fim-de-semana passado foi a festa da nossa rua. Tal como nos outros anos, que segundo consta já são muitos, cada casa traz os seus acepipes e desde a hora do almoço até horas pouco próprias para meninos do meu tamanho, está-se pela rua em regime non-stop. Brinquei toda a tarde. O nosso parque foi presenteado com um grande insuflável onde os meninos mais velhos e mais destemidos se aglomeravam e pulavam uns por cima dos outros. Eu preferi observá-los, andar no escorrega standard e escalar as estruturas antigas e de madeira sólida. Mas foi muito giro poder brincar tantas horas seguidas, sem fazer sesta nem nada! Às 21:30 andávamos todos, meninos grandes e pequeninos, rua acima e rua abaixo, cada um nas suas bicicletas e triciclos. Gostei muito da festa da rua. Podia ser assim todos os sábados!

20/09/2010

O meu Alfa Morreu



Ontem estreei-me não nos videojogos, porque já os conheço bem do iPhone, mas na Playstation do papi, com um jogo de corridas muito sério. Eu virava e o papi acelerava. Andei um bom bocado colado aos muros e no sentido contrário ao da corrida, mas gostei muito desta experiência que é tão diferente nem que seja pelo tamanho do ecrã! Ah, mas atenção! Começámos por definir o carro que íamos conduzir: eu quis que fosse vermelho e, mesmo depois de o papi me apresentar algumas marcas minhas conhecidas, acabei por escolher um "Alfa Morreu"!…

16/09/2010

10 Vacas = 1 ida à América



Hoje fui, pela primeira vez, ao banco. Fui fazer presencialmente o meu primeiro depósito e, pela primeira vez, vazar a minha Vaca. Isto porque ontem, a última moeda de 2 euros já não coube. A mami explicou que se eu vazar a Vaca no banco, que é um sítio com umas portas muito fortes onde não entram senhores maus, posso voltar a enchê-la como se fosse outra Vaca: a minha segunda Vaca! Isto porque eu preciso de 10 Vacas! Eis o registo da conversa de há dias, no caminho de escola para casa:
- Mami, eu tenho duas avós?
- Sim, a avó Ana e a avó Preciosa que está no céu. E também tens dois "avôs".
- O avô Mário e… o outro também está no céu?
- Não, o avô Amadeu está n'América. É lá a casa dele.
- Oh mami, eu quero ir à casa dele amanhã!
- Amanhã não dá porque a América é muito longe, do outro lado do mar. É uma viagem muito, muito grande, temos de ir de avião e o avião custa muitas moedas.
- Mas eu tenho moedas na minha Vaca!
- Não chegam, precisavas de 10 Vacas cheiinhas, iguais à tua.
- Assim? (Vicente levanta as duas mãos com os dedos todos abertos)
- Sim, assim. São muitas Vacas. Mas olha, podemos vazar esta Vaca que está cheia e que é a nº1, e começar a encher outra vez. Será a tua Vaca nº 2.

O Vicente faz algumas contas com os dedos e reencosta-se satisfeito na cadeirinha:
- Pode ser! No outro dia já vou poder ir à América.