Lá para as horas em que já se lanchou mas ainda não se está a jantar, e acabado de chegar de uma festa de anos "em ambulatório", a mami pintou-me uma teia na cara com um lápis que é quase baton e que não dói (quando eu for grande vou pintar uma teia na cara com aquelas agulhas que deitam tinta, mas como eu sou o Homem-Aranha não me vai doer), calçou-me as minhas botas de Homem-Aranha e a minha capa de Homem-Aranha (é uma que ele põe só às vezes, quando está de chuva e para não estragar o fato dele) e lá fui eu, convidar a minha amiga Abóbora (que em dias de escola se chama Becas) para irmos de porta em porta meter medo a essa gente.


E adivinhem! Com o nosso ar assustador, ela muda e sorumbática, e eu, desconfiado e a cuspinhar muito baixinho "Estavessuas ou estavessuas", enchemos os nossos sacos de "dossuas", de tal modo que o meu veio de rojo até casa e o da Abóbora teve a minha mami de o trazer.
Hoje, enquanto os demais portugueses arranjavam sepulturas eu, Homem-Aranha, passei o dia a separar rebuçados por temas e a decorar uma grande lata (outrora de biscoitos) para onde despejei este meu tesouro, autêntico resplendor de cores e infinitamente rico em odores. Não há nada melhor!
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