08/12/2012
Na cabeça de Van Gogh
Para mim foi canja: conheço o van Gogh muito bem.
A minha tia ofereceu-me há tempos um livro sobre ele e eu gosto muito que a mami mo leia. De manhã usámos lápis de cor e barras de grafite e eu quis pintar os famosos Girassóis. À tarde pintei a Noite Estrelada, em tela de madeira.
Quando o papi chegou para me ir buscar eu estava na sala ao lado do atelier a secar as minhas tintas com secador de cabelo. Gostei muito. Gostei muito da professora, que é mesmo pintora, que me elogiou o traço firme e que nos mostrou os quadros dela que por lá andam no chão em camadas encostados às paredes; gostei muito dos outros meninos que não conhecia e gostei muito de pintar naquele atelier velhinho e cheio de luz, onde vale tudo, até subir para cima da mesa para se ver melhor o que se pinta e desenha! Quando ía a sair perguntei à professora quando é que voltava a haver pinturas.
06/12/2012
Os 70 anos da avó
Em vez de ir à escolinha, fui a Lisboa, para me encontrar com ela.
E fui e voltei.
Podia contar-vos montes de coisas sobre a ida a Lisboa, sobre a festinha de anos da minha avó e sobre todos aqueles que por lá encontrei. Mas aquilo que foi mesmo o momento alto do dia e que me encheu as medidas foi andar no Intercidades que agora é o meu comboio preferido.
É que o Intercidades tem coisas que o Alfa não tem: tem uns sofás fantásticos no bar onde dá para brincar com carrinhos e bonecos; tem um revisor simpático que se senta ao nosso lado e nos dá explicações de comboios de hoje e do passado, tem umas casas-de-banho apertadinhas onde, quando me desequilibro, sou amparado por uma parede e nunca chego a cair, e tem umas passagens entre carruagens que são uma verdadeira vertigem, parece que vamos na parte de fora do comboio, em cima de umas chapas que abanam muito e de onde dá para ver o carril por baixo dos nossos pés a passar a 200 à hora, e sente-se o ar cheio de força a subir-nos pelas pernas das calças e o barulho é ensurdecedor e cheira-se aquele cheiro dos comboios que eu não sei dizer qual é. Como é que tudo isto me passou ao lado durante tanto tempo?
A avó já devia ter feito 70 anos há mais tempo!
03/12/2012
28/11/2012
Atacadores atacados
Primeiro agarramo-los com firmeza.
A seguir passamos um por baixo e outro por cima para os deixar baralhados e damos-lhes um puxão.
Depois, enquanto um permanece imobilizado, ao outro damos uma torcidela e apertamos-lhe o pescoço. Como não podemos ficar nisto por muito tempo, vamos buscar aquele que havia ficado imobilizado e coagimo-lo a torcer ele o pescoço do seu cúmplice. No momento em que este garante que o outro finalmente já sufocou, enfiamos-lhe a cabeça numa argola e enforcamo-lo.
E como não sou para brincadeiras, também já ataco os atacadores que importunam os sapatos dos meus coleguinhas!
14/11/2012
18/10/2012
O prémio da mami
Não fomos bem ao Porto, mas fomos mesmo de suburbano para apanhar um táxi para ir ver o Porto do Hotel Yeti (Yeatman), local onde me diverti à grande, enquanto a mami tirava fotografias com uns senhores.
Oh vejam, oh, oh:
… No Terraço dos Artistas, com o rio Douro, os Clérigos e a Ponte D. Luis de fundo…
… Sentado na cadeira do Senhor Yeti que deve ser mesmo abominável…
… No SPA, à babuja… Este senhor Yeti trata-se bem!…
… No espaço dedicado aos mais pequenos, onde me fartei de jogar ping-pong com o meu pai, que até nem joga mal…
… e de volta ao Terraço, onde as fotografias ainda não tinham acabado.
Mas de repente, apanhámos isto:
E depois, já em Aveiro, vimos a foto oficial que o senhor da pirâmide publicou AQUI.
Amanhã, quando chegar à escolinha, vou ter muito que contar: que a minha mãe jogou um jogo de um puzzle muito sério e que ficou em primeiro lugar. Por isso recebeu o equivalente à Taça Pistão!
24/09/2012
Festa da Rua, 2012
Isto só acontece uma vez por ano e é sempre um dia muito cheio. E este ano fui líder das operações porque o meu Jeep foi muito cobiçado e eu tive de gerir as viagens todas e os tempos todos e os infinitos conflitos todos, todos. Fiquei exausto. Para o ano vou implementar um sistema de bilhetes e ainda faço uns trocos à conta da coisa. E sempre me canso menos!
15/09/2012
Em silêncio, mas a manifestar
Num grupo grande, do DeCA, num grupo ainda maior de uma dezena de milhar de pessoas.
Não gritámos palavras de ordem, nem levámos cartazes com mensagens, fossem elas quais fossem. Fomos porque o princípio do evento era ser "apartidário".
Mas acima de tudo, fomos porque não estamos contentes e eu quero um Portugal (aquele onde joga o Cristiano) melhor do que este portugal de que os meus pais tanto se queixam. A mami diz que não volta a cantar o hino. Não pelo que nele se canta ou como se canta, que não vale nada, mas pelo que se sente no coração que ela diz já não sentir e pelo arrepio na pele que ela diz já não acontecer.
Fomos porque quando eu for grande não vou conseguir mudar isto tudo sozinho (apesar de eu achar que sim).
Fomos porque, por enquanto, aprecio a ideia de família unida e era bom não ter de deixar o país aos 18 anos, se então optar por continuar a estudar numa universidade com U maiúsculo, ou se então optar por trabalhar com P maiúsculo de profissional.
É que cá, em portugal, só Cristiano é que se escreve com maiúscula…
27/07/2012
09/07/2012
Aveiro é nosso!
Aveiro é nosso,
Aveiro é nosso e há-de ser,
Aveiro é nosso e há-de ser,
Aveiro é nosso até morrer.
Último dia de escolinha nas Barrocas
Mas o que nós não sabíamos é que os pais também tinham uma surpresa para nós! E qual não é o meu espanto quando vejo a mami entrar pelo nosso palco de terra batida adentro com o meu livro d'O Nabo Gigante na mão!!! Atrás dela vinham o Velhinho, a Velhinha e os animais todos desta grande estória. E foi um grande momento de improviso, para o qual também nós, meninos, fomos convidados a participar pela minha mami que estava quase a ficar sem voz!!
Eu fiquei muito orgulhoso e disse à mami que tinha gostado muito de a ver a contar o Nabo Gigante para tanta gente! Foram dois grandes momentos.
05/07/2012
Os dentistas são nossos amigos
Lá fui eu para a cadeira. Prontifiquei-me para agarrar o aspirador que não se aguentava muito bem dentro da minha boca ainda pequenina. Senti o jacto de ar e de água e tive direito a uma escovagem de dentes com escova eléctrica e a bochechar no fim com uma água vermelha que sabia a frutos silvestres. Ainda perguntei se podia experimentar a água verde e já agora a azul, mas a Drª disse-me que ficavam para a próxima vez, quando eu lhe fosse lá mostrar os meus dentes novos, os que hão-de vir.
24/06/2012
Photo Booth
A avó foi a mais fotografada. Tinha ido arranjar o cabelo e estava toda catita.
Depois fotografei o avô Márinho, com cara de avô Márinho. É tão engraçado, este meu avô!
Também apanhei a mami enquanto contava à avó as novidades do dia.
E por fim, fotografei o papi assim que ele chegou, mas com a câmara virada para mim…! Acho que saio ao avô Márinho… Só um bocadinho :)
19/06/2012
Encontro anual de Super-Heróis
1) organizámo-nos no quartel-general, sempre bem camuflados e longe dos paparazzi que não nos largavam;
2) treinámos a nossa motricidade e demonstrámos uns aos outros o quão poderosos continuamos a ser;
3) distribuímos tarefas em reuniões ultra-secretas em que só podiam participar super-heróis em peúgas;
4) comemorámos o nosso encontro e o facto de termos conseguido delinear um plano de combate à insustentabilidade da comunidade em geral…
5) … a implementar daqui a 20 anos…
Making of
11/06/2012
Ontem tinha 4, hoje já tenho 5!
A mami e o papi prometeram-me que íam lanchar com os meus meninos à minha sala. Levaram um bolo, feito por mim e pela mami, e a Sãozita, a minha educadora, preparou as mesas e os meninos para que pudessemos cantar os parabéns e fazer um lanche de aniversário. A mami tinha decorado o bolo durante a manhã e eu ainda não conhecia o aspecto final com que ele me ía aparecer. Cobriu-o com chocolate e com bolinhas coloridas. Os meninos ficaram encantados e, apesar de sermos só quinze, não sobrou uma única fatia do nosso bolo de quase 3 Kg. Fiquei muito contente por eles terem gostado tanto. E os meninos tinham preparado uma prendinha para mim que a Sãozita me ajudou a montar: uma moldura com uma foto minha, bem recente! Mas… nessa foto eu ainda só tinha quatro anos… Vou ter de a mudar para uma em que eu já tenha cinco!
10/06/2012
Na rota da seda [parte 2]
02/06/2012
01/06/2012
Horta biológica
Começámos pela salsa e pelos coentros e logo a seguir os feijões que trouxe de casa da minha avó e que fiz germinar no húmido do algodão. Plantámos alecrim, caril, manjericão, tomilho, oregãos e bela-luísa. Semeámos alfaces, couves e bróculos que já estão a fazer brotar umas folhinhas verdes pequeninas. Estamos muito entusiasmados com a ideia. Rego a horta todos os dias ao final da tarde, num compromisso inadiável, mesmo que me molhe todo e que os mosquitos me encham de gordas babas nas minhas áreas mais suculentas (que não são muitas e que, talvez por isso, eles gerem e partilham com grande mestria). Ah, sim, também investimos numas plantas de nome pouco provável, que não são comestíveis mas que teoricamente afastam os mosquitos. Contudo — palavra de Aposto-Jacob! — é bluff do homem do horto!
24/05/2012
Na rota da seda [parte 1]
Vieram cá para casa pequeninos com cerca de 4 mm. Agora estão grandes e eu já posso agarrar neles.
Tenho um preferido: o Monstro.
O Monstro era o único que se evidenciava das restantes miniaturas porque vinha já com cerca de 1 cm. Tem sido sempre o maior, é um grande comilão e é responsável pelos cocós que mais se destacam. Quando a mami ou o papi limpam o aquário em que eles têm estado a morar, eu pego nele e encho-o de mimos com festinhas que quase o esborracham enquanto conto as suas 9 riscas pretas e lhe atiro palavras doces como "meu bebezinho" ou "és tão lindo".
Há uns dias o Monstro deixou de comer tanto, começou a mingar e eu deixei de ser capaz de o identificar porque ficou do tamanho dos outros. Alguns bichos começaram a aproximar-se dos cantos do aquário e a cuspir emaranhados fios de seda para a construção dos casulos. Acredito que o Monstro seja um deles. Só não sei se será uma das crisálidas que vamos experimentar cozinhar ou um dos que passará pela magia da metamorfose.
[To be continued…]












































